Por que o Bitcoin é a internet do dinheiro

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Explicar a tecnologia do Bitcoin e Blockchain hoje é mesmo que tentar explicar o e-mail em 1984. Ainda precisamos de vídeos de cinco minutos explicando como funciona. Imagine ter que explicar às pessoas que a internet só existe como se conhece por causa de um protocolo de rede aberto chamado TCP/IP para funcionar. Ninguém quer saber dessas tecnicidades.

Contudo, a internet possibilitou a criação de diversos negócios e tecnologias que estão no dia a dia de todas as pessoas do mundo. A internet possibilitou o surgimento de uma economia baseada em software que por sua vez possibilitou o surgimento das criptomoedas. Que podem ser vistas como a internet do dinheiro propriamente. Pois foram projetadas para funcionar em rede.

O Bitcoin não é o primeiro sistema a fazer uso de redes ponto a ponto (peer-to-peer – P2P), as redes de compartilhamento de música, muito populares na década de 90, tais como Napster e Kazaa já faziam uso de redes descentralizadas. Durante anos, sites de torrent usaram o mesmo princípio aplicado por Satoshi para compartilhar arquivos.

Paul Buchheit, criador do Gmail, classificou o Bitcoin: como TCP/IP do dinheiro. Premissa na qual pode-se dizer que o Bitcoin é internet do dinheiro, de forma mais sucinta.
O Bitcoin, assim como a internet, é um protocolo de rede aberto que conecta bilhões de servidores ao redor do mundo e assim permite que a web exista. É apenas um software, executado em um conjunto de regras que precisam ser seguidas para participar da rede. As semelhanças são enormes e não é por acaso.

A internet do dinheiro

O Bitcoin é dinheiro, porque é isso que o software faz parecer ser, mas a verdade é que é pura informação. O software faz com que funcione como dinheiro da mesma maneira que o POP/IMAP/SMTP faz com que os e-mails funcionem como letras, como uma correspondência entre pessoas, com a certeza um tanto confiável de que as mensagens serão transmitidas a seus destinatários. A diferença é que os servidores de e-mail são centralizados, enquanto o Bitcoin não.  

Em uma rede descentralizada, não há necessidade de um servidor porque cada entidade da rede realiza o trabalho de validação da rede. Todos os pares na rede precisam ter uma lista com todas as transações para verificar se as transações futuras são válidas ou são uma tentativa de gasto duplo.

Como essas entidades podem manter um consenso sobre esses registros?

Se os pares da rede não concordam com apenas um saldo único e menor, tudo está quebrado. É preciso haver um consenso absoluto. Mas como se obtêm um consenso sem uma autoridade central?

Ninguém sabia até que Satoshi Nakamoto apareceu. Satoshi provou que era possível criar um dinheiro em rede, sem servidor central e criptografia inerente ao protocolo. Sua principal inovação foi alcançar o consenso sem uma autoridade central. Os Criptoativos são parte desta solução – a parte que tornou a solução emocionante, fascinante e ajudou a revolucionar o mundo.

Até o Bitcoin surgir, não havia o conceito de dinheiro programável, pois este era somente uma representação digital de um saldo bancário escriturado. Havia a necessidade de um protocolo universal para transações de moedas via web.

No momento que houvesse um protocolo universal, as negociações se tornariam tão mais simples de se monitorar fluxos de preços e o envio de uma transação se tornaria tão fácil quanto o envio de um e-mail, como já falamos anteriormente. Satoshi Nakamoto promoveu essa inovação com o lançamento do Bitcoin.

O uso do Bitcoin precisa ser simples como o envio de um email

Atualmente, existem centenas de serviços e aplicativos que estão fazendo o mesmo, com o objetivo de tornar as pessoas confortáveis ​​com o uso da tecnologia.

Já é possível enviar dinheiro um para o outro usando o protocolo Bitcoin, com um deslize de um dedo, sem precisar entender como ele funciona. Explicar a tecnologia do Bitcoin será tão desnecessário como explicar o e-mail hoje.

Ninguém se importa com infraestrutura. As pessoas se preocupam com os aplicativos que são executados na parte superior dessa infraestrutura. É preciso que aplicativos matadores surjam e tornem a experiencia das pessoas mais natural e logo em seguida o efeito imediato será a adoção em massa.

O ecossistema de criptomoedas precisa de um aplicativo tal como foi o Netscape para web no seu surgimento, assim como a internet precisou nos seus primeiros anos de vida, fora das universidades e centros de pesquisa militar.
Ser dinheiro programável não é suficiente. É necessário que exista uma interface para esse dinheiro baseado em rede.

As criptomoedas são dinheiro programável. Toda ação no mundo financeiro de hoje, desde a negociação, ao depósito, à herança de ativos, deve acontecer no próprio programa, sem a necessidade de terceiros. A usabilidade é o próximo desafio para as criptomoedas. Uma vez resolvido isso a adoção será mais fácil.

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Fonte Cointelegraph

Last modified: 16 de outubro de 2020